Walter Barelli - economista e professor

Opinião Barelli - A história faz justiça

07/07/2011, às 08h00

A história faz justiça

Por Walter Barelli, Ministro do Trabalho no governo Itamar Franco e ex-deputado federal pelo PSDB de São Paulo - publicado no O Correio Brasiliense, de 03/07/2011

Acontecimentos importantes só são devidamente avaliados quando a poeira dos preconceitos ou das análises apressadas se assenta. Só na morte é que se está fazendo justiça à grande importância da figura do presidente Itamar Franco.

Certamente, o plano real é obra de um estadista, talvez a maior dele. Plano de um presidente da República que ouviu todos os seus ministros democraticamente numa reunião que se estendeu por mais de 10h, com uma exaustiva discussão sobre o novo valor do salário mínimo na conversão definida pela URV, até receber sua assinatura.

Hoje, ainda recebemos os frutos da sua coragem em enfrentar de forma duradoura a hiperinflação que corrompia os salários, destruía sonhos e colocava os menos favorecidos numa situação cada vez mais difícil.

Mas o governo Itamar Franco não foi só isso. É importante verificar que seu governo não registrou casos de corrupção. Até hoje, é exemplar a sua sabedoria em afastar um ministro acusado, aguardar o resultado dos inquéritos e reempossar com honras o ministro contra o qual nada foi constatado.

Os mais antigos devem se lembrar que as secas do Nordeste sempre foram objeto de desvios dos recursos que não chegavam à população. Mas, em 1993 e 1994, os alimentos chegaram efetivamente aos flagelados em um plano fiscalizado nos municípios por situação e oposição das câmaras de Vereadores, e mobilizado por uma logística que envolvia as Forças Armadas, os ministérios sociais, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar — presidido por dom Mauro Morelli —, as entidades sindicais e religiosas.

Pela primeira vez, não se falou em corrupção e indústria da seca, e foram atendidas 2.050.000 famílias em 1.163 municípios.

Para retomar o desenvolvimento e vencer o pessimismo empresarial, Itamar Franco coordenou o lançamento do carro popular, pensado como um veículo barato para ser acessível a uma parcela maior da população. O sucesso foi imediato: voltaram os empregos e os investimentos. Preocupado com os mais necessitados, determinou que a Caixa Econômica Federal abrisse contas bancárias sem a imposição de valores mínimos.

Há muito mais a citar e a emoção me impede de relembrar tudo, como o que ocorreu logo no início do seu curto governo: o pagamento da correção de 147% nos benefícios de aposentados e pensionistas, o pagamento das contas inativas do FGTS, o combate ao trabalho escravo e infantil, a promulgação da Lei Orgânica da Previdência Social e o barateamento dos remédios por meio da lei dos genéricos.

Foi um grande presidente da República, a quem a história fará justiça por sua honestidade, dignidade e interesse público acima de qualquer outro. Um estadista!


Walter Barelli


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