Walter Barelli - economista e professor

Opinião Barelli - Pelo fim da discriminação

29/03/2010, às 11h00

Pelo fim da discriminação

Em 8 de março de 1857, uma greve de trabalhadoras pela jornada de 10 horas de trabalho, por salário igual ao dos homens e por condições dignas de trabalho foi combatida com o incêndio da fábrica de vestuário em que mais de uma centena de mulheres se abrigava.. Essa data foi escolhida pela ONU, em 1975, como dia internacional da Mulher, para lembrar as conquistas femininas bem como as violências sofridas.

A discriminação da mulher se dava e ainda hoje se dá em vários campos. Na sociedade, na política (o direito de voto foi conquistado só no século XX), na família e principalmente no trabalho.

Por exemplo, mulheres não eram admitidas nos concursos do Banco do Brasil, empresa que só contratava mulheres para funções de telefonista. Nos anos 60, tive acesso a uma guia de contribuição sindical de uma grande empregadora do setor de cosméticos. Na relação de salários e cargos, os homens tinham salários maiores que as mulheres e estas não eram identificadas pelo cargo ocupado. Constava apenas “mulher” e seus salários eram inferiores aos demais trabalhadores.Foi o maior exemplo documentado de discriminação de gênero.

Os mais antigos hão de se recordar que o Chefe de Pessoal quase sempre era do sexo masculino, na presunção de que ele era mais talhado para as funções de controle.

Tramita na Câmara Federal um Projeto de Lei que propõe punição à discriminação salarial por gênero. Hoje não há salários “femininos” como no passado, embora muitas funções de baixos salários sejam consideradas femininas. O exemplo mais próximo é o da empregada doméstica, como também foi o caso da telefonista, da digitadora, da auxiliar de enfermagem. Essas profissões mudaram de denominação, mas ainda são predominantemente ocupadas por mulheres.

A forma mais sutil de discriminação evidencia-se nos postos de direção. A maioria dos cargos superiores é ocupada por homens, não necessariamente por terem mais habilidades e capacidades para essas funções. É o “machismo” que rege esse comportamento, cultura que ainda sobrevive em muitos ambientes, em especial no trabalho. Se olharmos para a representação empresarial, veremos que só uma das confederações patronais é presidida por uma mulher. Na representação dos trabalhadores, nenhuma mulher ocupa a presidência de Central.

Na ABRH o quadro é diferente. Mulheres presidem a Entidade Nacional e a muitas das Regionais. Isso não por corporativismo, embora haja cada vez mais mulheres na Gestão de Pessoas. É prova de mudança na situação. As novas gerações estão crescendo em um clima mais integrador. O processo já começa nas escolas, quase todas mistas. Antes meninas e meninos estudavam em classes diferentes. Os casai modernos tem outro tipo de relacionamento. A convivência tem levado ao reconhecimento dos valores individuais, que indepe-ndem do sexo de cada um.

Uma sociedade sem discriminações será sempre conquista e não dádiva. É nosso dever e compromisso estabelecer práticas que levem a essa realidade. Afinal, somos Gestores de Pessoas.


Walter Barelli - Revista Melhor, março de 2010


.: voltar para o Opinião Barelli :.


Copyright Walter Barelli. Todos os direitos reservados.
Design by ON-LINE PLANETS