Walter Barelli - economista e professor

Setor da saúde

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PARTICIPANTES:

Lilah Pupo – Coordenadora Geral de estágios da PUC -SP

Sílvia Benedeti - Responsável pela área de Desenvolvimento Organizacional da Intermédica

Cláudia Roffa – Responsável pela Coordenação e Supervisão de estágios de Administração Hospital da São Camilo

José Roberto Cunha – Consultor na área de Comércio Internacional do Sebrae

Renato Rodrigues Sophia – Diretor de departamento de Ciências da Saúde da Uninove

Cláudia Pierro - Responsável pela Área de remuneração do Grupo Amil

Miriam Branco – Diretora Executiva de Recursos Humanos do Albert Einstein

Walter Barelli - Coordenador e conselheiro do Instituto Via de Acesso

Ruy Leal - Moderador e superintendente do Instituto Via de Acesso


A idéia dessa mesa redonda é discutir o ponto de vista das universidades e que tipo de profissionais as empresas estão recebendo, assim como as oportunidades no mercado de trabalho do setor de serviços da saúde.

Um conceituado hospital afirma que a área está em grande fase de expansão. Hoje possuem 6 mil funcionários, mas pretendem ampliar seu quadro para 8,5 mil funcionários em três anos. Para esta empresa, a principal dificuldade se encontra na formação de enfermeiros. Na universidade da própria instituição é pequena a procura pelo curso. Nem todos os profissionais possuem o perfil adequado ou a qualificação desejada. A rotatividade pessoal nos dois primeiros anos de empresa é grande. Entre os profissionais, 90% são mulheres. Outra dificuldade é o fato de que muitos dos profissionais estabelecem dois vínculos de trabalhos em instituições diferentes. Neste hospital, os enfermeiros são bem remunerados e podem contar com um plano de carreira, além de benefícios e folgas nos finais de semana. Mesmo assim, a Universidade forma apenas 40 enfermeiros por ano. Eles desejam ampliar o número de estágios e posteriormente de efetivações.

Por outro lado, as universidades particulares afirmam que a área da saúde não é atrativa porque a bolsa-auxílio é muito baixa. Um estudante de direito, por exemplo, ganha muito mais que um de fisioterapia. O diretor de saúde de outra universidade lembra das limitações exigidas pelo Conselhos Regionais na hora de oferecer estágio aos estudantes de fisioterapia, terapia ocupacional, entre outras profissões.

Um grupo especializado em atendimento na área da saúde afirma que seus hospitais não trabalham com estágios para enfermagem, mas sempre tem vagas disponíveis para enfermeiros formados. Eles aplicam uma prova aos profissionais, mas tiveram que diminuir o grau de exigência dessa prova devido à falta de preparo dos mesmos. Muitos profissionais possuem conhecimentos técnicos, mas deixam a desejar na parte comportamental. Para as universidades, esse déficit comportamental já vem da escola.

Outro problema enfrentado pelos hospitais se refere ao preconceito dos clientes com homossexuais e negros. Em uma das instituições existe um canal de proteção ao funcionário para trabalhar com estas situações constrangedoras e estressantes que estes profissionais muitas vezes são submetidos.

Para a maioria dos profissionais e recrutadores da área, trabalhar com saúde é algo pesado e quem pretende ingressar nessa carreira precisa ter sempre em mente a idéia de servir ao próximo e contar sempre com muita força emocional.

Para as universidades, os estudantes de classe médica não pensam em ser enfermeiros, optando, na maioria das vezes, pela medicina, que é melhor remunerada. A área de enfermagem está cada vez mais sendo procurada por estudantes de classes sociais mais baixas. Por outro lado, na área médica, o grau de exigência está cada vez maior. Por exemplo, não há contratação sem ao menos uma especialização no currículo. Ou seja, o recém-formado também não consegue emprego de imediato, a não ser como voluntário.

Além disso, há também o problema da falta de vagas de estágio supervisionado, que é imprescindível neste setor. Para um grupo de atendimento, por exemplo, há apenas cinco vagas de estágio em fisioterapia por ano. Muitos estagiários são incluídos em programas de medicina preventiva, especialmente nos centros clínicos.

Outra observação importante durante a discussão foi a dificuldade de estágio nas áreas de saúde pública em que, além do estudante não ser remunerado, muitos órgãos estão exigindo uma contrapartida da universidade, ou seja, as universidades têm que arcar com gastos para incluir seus alunos no estágio.

Apesar das dificuldades de se conseguir uma vaga, praticamente todos os empregadores foram unânimes em dizer que a principal falha dos estudantes é comportamental. Por outro lado, os representantes das escolas justificam que recebem estes alunos com um perfil muito falho vindo do ensino médio. Junta-se a isso a distância entre o mundo universitário do mercado de trabalho, pois muitos professores acabam se dedicando apenas à área acadêmica. Uma das saídas apontadas para o impasse foi a formação diferenciada de supervisores de estágio.

Em busca da melhor formação, uma das universidades oferece oficinas de escrita e leitura par todos os alunos, além de uma forte formação humanística. Há um destaque também para mudanças na metodologia do ensino da saúde, focando mais a solução de problemas do que o professor na sala de aula. Assim, os professores estão se tornando tutores de ensino e o enfoque para trabalhos em equipe também aumentou. Para isso, todo o corpo docente está passando por um treinamento.

Um dos hospitais também oferece um Centro de Simulação Realística, em que atores são contratados para trabalhar o lado comportamental e emocional dos funcionários e bonecos importados que apresentam, inclusive, reações próximas às dos seres humanos também foram adquiridos.

Finalizando, há o consenso de que:

  • Este é um setor fundamental, mas que precisa de cuidados para não ser esquecido, pois há poucas oportunidades para os jovens. Alguns dos fatores que leva à baixa procura pela área da saúde (exceto a medicina) é a falta de glamour, a baixa remuneração e a carga horária, já que o setor funciona 24h. Com isso, verifica-se alta rotatividade nos primeiros anos da carreira. Na enfermagem, a oferta de vagas é maior do que a procura.
  • A maior falha é na área comportamental, pois os jovens são despreparados, não têm costume de ler nem escrever. Neste setor é preciso saber lidar com pessoas. Este problema também está atrelado à personalidade de cada um. Por exemplo, não há espaço para agressividade. É preciso estrutura emocional para lidar com crises psicológicas e/ou físicas.
  • Conselhos Regionais de classe são atuantes. Área com muitos protocolos e regulamentos profissionais. Não há espaço para informalidade. Graduação não é suficiente para o mercado atual. Estão exigindo especialização
  • Recrutamento normalmente é feito com profissionais de nível sócio-econômico baixo.
  • Maioria das empresas faz recrutamento interno e têm planos de carreira, mas ascensão natural pode ter problemas de liderança. Algumas empresas ajudam a subsidiar os custos da graduação, mas estão buscando inovações e profissionais criativos.
  • Necessidade de empresas e universidades se aproximarem. Algumas universidades estão se atualizando e novas metodologias de ensino estão sendo fundamentais.Ainda assim, há espaço para empreendedorismo no setor de saúde, pois algumas áreas estão sendo terceirizadas, como fisioterapia e fonoaudiologia. Algumas empresas também estimulam idéias que facilitem processos ou conforto de pacientes e clientes, inclusive dando apoio e assistência na área de patentes para novidades. O mercado de home care também é uma das opções empreendedoras do setor e tende a aumentar, devido à pressão pela desospitalização dos pacientes e envelhecimento da população.

Instituto Via de Acesso, 18/09/2007.


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