Walter Barelli - economista e professor

Setor químico

PARTICIPANTES:

Anita Viviane, Gerente de RH Corporativo da Basf.

Larissa Barbosa, responsável por estágio e trainee da Henkel.

João M. Tuboni, gerente de Remuneração e seleção da Sabesp.

Gustavo Villaça G. Figueiredo, gerente regional da GE Water.

Prof. Luiz Carlos Bertevello, Coordenador de Engenharia Química da FEI.

Prof. Edson Tríboli, Coordenador de Engenharia Química do Instituto Mauá de Tecnologia.

Prof. Ricardo Calvo, Coordenador de Química e Engenharia Química do Centro Universitário Oswaldo Cruz.

Walter Barelli - Coordenador e conselheiro do Instituto Via de Acesso

Ruy Leal - Moderador e superintendente do Instituto Via de Acesso


No setor Químico, o jovem terá oportunidades se sempre estiver disponível, possuir um bom inglês, pois a maioria das empresas contratantes do setor é grande, que usa esse idioma cotidianamente.

Também deve ser maduro, "antenado" e com boa formação.

As chances de o jovem fazer carreira com essas condições ou habilidades são maiores já que no setor químico as grandes transformações são uma constante.

A área comercial se apresenta como um grande canal de aproveitamento de jovens com genuíno interesse em atuar em vendas, coisa não muito incentivada por algumas escolas de química e de engenharia química, como também se trata de um universo de oportunidades desconhecido por outras escolas.

A questão da maturidade é bastante latente no meio estudantil. Há casos de filhos que aparecem na escola, acompanhados pela mãe ou pelo pai, para identificar o que está ocorrendo com as notas ou reclamam de dificuldades acadêmicas que não são capazes de suportar. Há um entendimento de que a adolescência vai agora até os 30 anos. O jovem sai da casa dos pais após os 30 anos e a família protege muito até lá. Ele fica sem experiência de vida e despreparado para enfrentar o mercado de trabalho.

A química mata e, portanto, não foi feita para irresponsáveis ou para imaturos. Não há como considerar crises de pânico no meio empresarial em pleno trabalho.

As empresas, de outro lado, reconhecem que boa parte dos jovens peca por sua instabilidade emocional e perdem oportunidades e espaço por conta disso. Qual a percepção os jovens têm de seus pais?

As empresas identificam casos de sociopatia junto aos jovens, ou seja, o desconhecimento da existência do outro, como também de jovens neuróticos, portadores da síndrome do pânico, alternâncias graves de humor, isolamento, entre outras.

Entretanto, identificou-se também a existência de alguns descompassos entre as exigências das empresas do setor e o que as escolas podem oferecer. Não dá, por exemplo, para as escolas atenderem em 5 anos de formação toda a gama de exigências que a indústria vem fazendo, definindo como necessário que o recém-formado saia dos bancos escolares com perfil administrativo + técnico + habilidades comportamentais.

No Canadá empresas seguradoras de saúde não pagam afastamentos de funcionários ocasionados por excesso de exigências das empresas.

Tudo o que ocorre no setor privado ocorre em empresas públicas. O concurso público retomou a atenção e o interesse do jovem. Uma das principais razões para isso ocorrer é que há uma estabilidade muito maior, o que diminui a tensão e o estresse, pelo menos.

Como previsão de futuro o setor químico entende que haverá falta de profissionais. No ambiente escolar não se retrata a realidade empresarial, nem se espera isso na empresa. Porém, no ambiente da escola superior há uma continuidade da escola de ensino médio, com excesso de brincadeiras entre os estudantes, inclusive em questões referentes ao futuro aproveitamento profissional. Denota imaturidade e falta de interesse com o futuro profissional.

Outro fator relacionado é a grande competição existente entre as escolas particulares. Por conta disso, a relação das escolas com os alunos ficou muito paternalista ou "protecionista", o que fortalece a imaturidade dos alunos.

Há, entretanto, clara diferença entre o aluno que estuda durante o dia e o que estuda durante a noite. O aluno diurno tem a família como grande investidor em sua formação. É cognitivamente melhor, mas muito imaturo.

Já o aluno noturno quer melhorar de vida. Normalmente é de família economicamente mais carente, quer melhorar de vida, mais maduro e preparado para a vida, não reclama de trabalho, mas é cognitivamente menos preparado.

Talvez, por isso, as empresas em geral preferem oferecer estágios de 8 horas diárias, o que não deveria ser tão forte assim, pois essa prática faz com que muita gente boa possa não ser aproveitada e amadurecida.

Muitas empresas adotam a carreira em "Y", ou seja, o profissional pode seguir carreira tanto no plano técnico como no executivo. A exigência, todavia, é grande, sim. O mundo é exigente e o estudante não se atenta para isso.

Mas, o que as empresas estão buscando em seus profissionais e o que as escolas estão entregando?

Quanto à formação técnica, no geral, as escolas estão formando adequadamente, segundo as necessidades empresariais. Porém, as empresas buscam nos jovens outras habilidades, comportamentais, necessárias ao seu aproveitamento profissional. As empresas estão dispostas a cuidar do comportamental em suas dependências.

As habilidades comportamentais mais buscadas no jovem são:

  • Foco nos resultados;
  • Saber lidar com a pressão;
  • Saber lidar com as pessoas;
  • Estar sempre aberta às idéias e sugestões;
  • Noção de negócio;
  • Comprometimento;
  • "Antenado";
  • Saber trabalhar em equipe;
  • Saber trabalhar com a diversidade;
  • Trato amigável com a tecnologia;
  • Valores e postura ética;
  • Senso de hierarquia;
  • Boa comunicação escrita e verbal;
  • Adaptabilidade;
  • Apresentação.

Do lado contrário, o que não se perdoa em um jovem no meio empresarial é a arrogância.


Instituto Via de Acesso, 23/07/2007.


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