Walter Barelli - economista e professor

Setor de Telecomunicações

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Participantes

Wagner Reis, diretor de RH da Telefônica S.A.;

Ricardo de la Torres, diretor comercial da Digistar;

Alecsandro Souza, gerente de Inovação do Sebrae;

Prof. Dr. Silvio Ernesto Barbin, coordenador de Telecon da Poli-USP;

Augusto Carlos Pavão, professor de Telecon do Instituto Mauá de Tecnologia;

Marcelo Ribeiro Zanadeli, professor de telecon da FEI;

Walter Barelli, conselheiro do Via de Acesso e coordenador geral da mesa-redonda;

Ruy Leal, superintendente geral do Via de Acesso e moderador da mesa-redonda.

Conteúdo

No dia 28 de agosto, dia da realização da mesa-redonda, fazia 8 anos do início da privatização no setor de Telecomunicações. Há 8 anos, a Telesp contava com 22 mil empregados. Hoje, são 8 mil e a organização cresceu mais do que o dobro. Houve profunda mudança no negócio, com a organização contando agora com 50 mil terceirizados e com call centers que atuam em apoio à Telefônica no atendimento aos clientes. O que mudou? A exigência de ter adaptação na tecnologia. O perfil do profissional da área mudou com a privatização: era técnico há oito anos e agora o perfil é ser técnico + empreendedor + comercial. É necessário que o profissional da área esteja sempre preocupado em identificar novas maneiras de desenvolver negócios e de realizar o serviço. O setor já chegou a importar gente do exterior para atuar no Brasil. Atualmente, exportam profissionais para a Espanha, Argentina, Peru, República Tcheca, Inglaterra, entre outros países.

Na pós-privatização houve grande demanda por profissionais de telecomunicações. Nessa época houve também a explosão das ".com" e os atentados de Nova York, na seqüência. O mercado entrou em recessão. Os grandes "players", entre os quais, Lucent, Alcatel e Ericson, diminuíram seus quadros. Houve uma verdadeira reestruturação do setor, com o mundo real aparecendo aos profissionais como um setor que não poderia absorver grande número de profissionais que queriam atuar em telecom pelo "glamour" que apresentava e não por vocação. Perdeu-se a janela da oportunidade, ou seja, definir, com clareza e justeza, onde queremos chegar. Ocorreram também nessa época choques entre o pessoal de telefonia com o pessoal de tecnologia, sem uma definição mais clara de responsabilidades e necessidades dos profissionais.

As universidades que formam engenheiros para o setor de telecomunicações partiram para a formação mais generalista, com a especialização ficando por conta da pós-graduação. Passou a haver uma forte reação para se mudar a grade dos conteúdos curriculares para a realidade do meio empresarial. Pretende-se, com isso, levar o aluno a valorizar o conhecimento, de maneira a aprender a pensar para aprender a solucionar problemas. Pretende-se também, desde o ciclo básico, desenvolver o espírito empreendedor dos alunos. Assim, o aluno terá a característica de ser um aluno pensante, empreendedor e com atitude voltada para resolver problemas.

De outro lado, há a corrente que considera que o mercado de telecomunicações cresce. Ele muda de "cor", mas cresce sempre. "Num determinado tempo o mercado de telecom cresceu muito e aí caiu. Mas, se a empresa do setor, na época, era consolidada, continuou a crescer". Quem é o cliente, de fato, da escola de Telecomunicações? Não é só a telefonia, mas o mundo! O estudante deve estar preparado para atender a telefonia ou o mercado de telecom. Mas, deve estar pronto também para atuar em qualquer outra área no seu setor de formação. Se houver um "boom" em energia, deve ter a capacidade para migrar para energia. São os generalistas de áreas. O maior dilema das escolas hoje é saber definir a sua área de atuação, definir o seu mercado. Segundo essa corrente, é salutar o seu cliente visitar a sua "planta" educacional. Dessa forma, pode-se desenvolver um curso cooperado, com o aluno ficando um tempo na escola e outro tempo na empresa.

É importante saber que o mundo convergente já chegou. O estudante que esse mundo busca é o aluno que se adapte, rapidamente, às mudanças. Para se chegar a um bilhão de telefones fixos levou-se 100 anos. Para se chegar a um bilhão de celulares levou-se 15 anos. Para se chegar a um bilhão de usuários de Internet levou-se somente 10 anos. A convergência não ocorre somente na tecnologia. Há a convergência de empresas também. O aluno que se precisa é um aluno convergente, capaz de surfar nesse cenário de muita mudança. Dentro desse mundo é importante criar-se mecanismos que propiciem sinergia entre a escola/universidade, o meio empresarial e a conseqüente aplicação. O melhor para esse mundo é formar engenheiro com competências de técnico convergente. Assim estaremos preparando profissionais do futuro e não do passado. Para se alcançar isso é fundamental criar parcerias duradouras entre empresas e escolas. Criar empreendedores nas escolas pode ser uma grande solução para o mundo convergente. A universidade deveria fazer algum trabalho para identificar os seus alunos que possuem essa habilidade e competência.

Vale reforçar que as empresas, normalmente, olham seus resultados por trimestre. Precisam de soluções rápidas para obter bons resultados. Todos estão se movimentando rapidamente. Quem não consegue isso, acaba. As necessidades nascem e mudam também rapidamente. Os perfis de competências, igualmente, mudam rapidamente. Hoje há novas convergências de competências. Por exemplo: Biologia + TI + Telecom. + Empreendorismo.

A universidade vive de verba. A empresa vive de faturamento. Há um choque cultural, mas, nada é intransponível. Os dois lados fingem que não se enxergam. Pode se fazer trabalho cooperado entre escola e empresa. A escola ganha a verba para desenvolver determinada pesquisa de seu interesse, mas, pesquisa também o que a empresa precisa.

Mas, o que falta na formação do estudante universitário?

A formação no ensino médio está degradada. Falta muito na sua formação para diversos estudantes que entram na universidade. Há muita reprovação no início do curso universitário, por deficiência na formação vinda do ensino médio. De outro lado, é necessário esforço do estudante nas matérias básicas, próprias do início do curso. São essas matérias que darão embasamento no futuro. É necessário fazer bem feito. Mesmo que não goste o estudante deve dedicar-se. Ao longo do curso falta consciência à maioria dos estudantes quanto à importância de buscar estágios, grupos de estudos. É importante também buscar outras competências, como empreendedorismo, comerciais, relações interpessoais, comunicação - escrita e verbal, etc.

Como providências necessárias para fomentar o contínuo desenvolvimento das relações entre a universidade e a empresa:

  • Eventos para esclarecer a vida real no setor de telecomunicações aos estudantes.
  • Mostrar a necessidade de se desenvolver outras habilidades e executar ações no sentido de preparar os estudantes nessas habilidades.
  • Comunicação contínua entre empresa e escola.
  • Mecanismos contínuos entre as partes de maneira a informar o que os lados precisam.
  • Criar um super-blog para as 3 partes- escola, empresa e estudante- se falarem.
  • Criar e manter incubadoras.

Instituto Via de Acesso, 22/09/2006.


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