Walter Barelli - economista e professor

Setor de Fármacos e Cosmética

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Participantes

Pablo Javier Lamenza Alzogaray, diretor de RH do Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A,

Mara Cristina Gallinaro Sá, diretora de RH da América Latina do Allergan Laboratórios,

Renato Paiva, gerente de Operações de RH do Bristol-Mayers Squibb,

Yuri Gabriela Pezutto, consultora interna de RH da Avon Cosméticos Ltda.

Rossana Pilard Jean, Analista Pleno de RH da Solvay Farma,

Prof. Geraldo Alécio de Oliveira, coordenador do curso de Farmácia da Anhembi-Morumbi,

Profª. Elfriede Marianna Bacchi, presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo,

Profª. Silvia Regina Cavani Jorge Santos, profª. Titular do curso de Farmácia da Universidade de São Paulo,

Prof. Dawerson Rodrigues, representando o curso de Farmácia da Universidade São Judas Tadeu e Universidade Oswaldo Cruz, além da empresa Pharma Dviser,

Walter Barelli, conselheiro do Instituto Via de Acesso e coordenador da mesa-redonda, e

Ruy Leal, superintendente geral do Instituto Via de Acesso e moderador da mesa-redonda.

Conteúdo

O mercado de trabalho para a indústria farmacêutica, de uma maneira geral, está estabilizado hoje no Brasil. Com exceção dos "genéricos", que tem crescido a uma média de 20% ou 25% ao ano, o setor industrial farmacêutico, como um todo, está equacionado. Na indústria de cosmética o momento é um pouco diferente, pois há crescimento consistente na área de produção. O desenvolvimento de produtos de cosmética geralmente ocorre fora do país, com as adaptações necessárias acontecendo aqui. Entretanto, a estabilização também ocorrerá nessa área nos próximos anos.

Com esse cenário considerado foram identificadas áreas críticas na indústria que buscam talentos interessados e conscientes das características dessas atividades. Duas áreas críticas se destacam na indústria farmacêutica: a Regulatória e a Propagandista, que estão recebendo das indústrias atenção concentrada e investimentos.

Há consenso de que existe falta de mão-de-obra com talento em quantidade suficiente no setor. A grande preocupação hoje é a prática da retenção de talentos. É entendimento que um bom programa de estágio, com objetivos claros, pode ser um grande mecanismo de formação de futuros quadros e de retenção de talentos.

É preciso desmistificar junto às escolas e, portanto, junto aos estudantes, que na indústria farmacêutica e de cosmética além de marketing, pesquisa e desenvolvimento existem áreas contratantes e tão importantes como as mais conhecidas, que são a regulatória e a propagandista.

No caso da área regulatória, antes essencialmente dominada por advogados, agora começa a ser objeto de atuação de farmacêuticos. Hoje essa área é muito mais técnica, dentro de um mercado bastante reformulado nos últimos 10 anos. Analisa-se o processo como um todo, em vez de somente avaliar as questões jurídicas existentes. É necessário para quem quer atuar nessa área ter também gosto por pesquisa, numa mescla com os aspectos jurídicos envolvidos na atividade. Entretanto, tem sido muito difícil "vender" essa atividade para os estudantes de farmácia. Eles não são "apresentados" a essa área pelas escolas, de maneira geral.

Há um claro divisor entre o posicionamento de ensino adotado pelas escolas públicas em relação ao assumido pelas escolas particulares. A USP, como exemplo, traz esse gosto pela pesquisa como marca de seu curso. O aluno vive muito mais na biblioteca do que o aluno da escola particular. Não se faz apostila propositadamente, obrigando os alunos a fazerem grupos de estudo para apurar e aprender o conteúdo em discussão. Muito diferente de alguns anos, hoje tem a Internet, que apresenta muita informação pronta. Deve se incentivar a busca. O curioso vai atrás.

Uma característica dos novos tempos é que tudo é muito imediato. Tudo está pronto, como se estivessem em prateleiras à espera do "comprador". Os meios de comunicação e a Internet propiciam isso. É necessário, desde as famílias e passando pelas escolas, incentivar o gosto pela pesquisa.

Até há pouco tempo, havia a visão de que o pesquisador deveria ser o centro das atenções. Agora há um claro posicionamento, de igual valor para o negócio farmacêutico e de cosmética, sobre a necessidade de se ter dois tipos de profissionais: o de pesquisa e o profissional de mercado, talvez, como proposta, sendo formados em dois tipos de escolas, dentro de suas vocações. Possivelmente, pela realidade atual, as universidades públicas poderiam se posicionar mais para uma atuação em pesquisa e as universidades particulares mais para o ensino do profissional de mercado.

Outra situação importante para a indústria farmacêutica relaciona-se aos seus programas de estágio, pois possuem importância como meio de preparo de seus futuros profissionais. As escolas presentes sentem dificuldades quanto à questão da carga horária diária de seus estudantes aproveitados como estagiários pela indústria farmacêutica. Especialmente as escolas públicas como a USP realizam seus cursos de farmácia e de cosmética em período misto, ocupando seus alunos em horários matutinos e vespertinos que variam durante a semana. A escola particular não tem como oferecer disciplinas optativas para dois ou três alunos como a USP pode fazer. A questão é que os alunos precisam se envolver com o curso para se prepararem adequadamente, mas o estágio na empresa apresenta-se como fundamental mecanismo de verificação prática do que é ensinado na escola e de visão do futuro campo de aplicação. Os estudantes sentem-se inseguros com essa situação e as escolas não conseguirão, sozinhas, encontrar solução para esse impasse. Diante disso, a questão do estágio com horário integral foi colocada na mesa, discutindo-se a melhor equação para se buscar a boa formação e o seu exercício no estágio. A realidade do mundo empresarial, internacionalmente competitivo, exige rapidez e qualidade em tudo o que faz e prepara, inclusive na formação de suas equipes. Essa condição tem impedido a empresa de considerar a possibilidade de oferecer oportunidades aos estudantes dentro das condições de horário esperadas pelas escolas. A escola entende que até 6 horas de estágio por dia é o limite e a empresa, tradicionalmente, "precisa" formar o estagiário o mais rápido possível, daí somente pensar em estágio de 8 horas por dia. Além disso, o mercado farmacêutico oferece condições diferenciadas aos interessados, com forte atração financeira e benefícios, de maneira a ter os melhores para também preparar competitivas equipes. Para se pensar em 6 horas de estágio por dia a empresa precisará avaliar esse quadro de necessidades educacionais com os resultados que poderá obter sem prejuízos aos seus planos de desenvolvimento de futuras equipes. Para se avaliar foi proposto o escalonamento do horário, começando a empresa a avaliar a possibilidade imediata de aplicar o estágio de 7 horas por dia. É um começo.

Outra área em que a indústria farmacêutica está investindo fortemente é na formação de equipes de propagandistas. Atualmente, metade da área comercial das indústrias farmacêuticas é formada por profissionais sem formação técnica. É preciso desenvolver equipes comerciais com melhor entendimento e formação técnica e o estágio de estudantes é o melhor meio para isso. As condições de trabalho e financeiras oferecidas são muito boas, tanto para o estagiário como para o profissional da área. A indústria farmacêutica sente necessidade de divulgar mais aos estudantes as oportunidades de carreira existentes no regulatório, controle de qualidade e no comercial e contar com o apoio da escola para isso.

Há consenso que o estágio amadurece o estudante, é socialmente importante, é a melhor via de acesso do estudante ao mercado de trabalho e apresenta, de maneira real, como funcionam as estruturas nas empresas.

Embora a indústria financeira esteja estabilizada, o varejo está contratando o que denota que a renovação dos profissionais sempre ocorrerá no setor em geral.

A idéia do "pré-estágio" foi discutida, se caracterizando pela adoção por parte das empresas de estudantes, desde o início de seu curso na universidade, para que ele possa se preparar adequadamente no seu curso. Depois, como estagiário, ele é contratado pela empresa que o adotou, seguindo todo o processo de desenvolvimento planejado desde o começo de sua vida universitária.

Como em outros setores da economia, a indústria farmacêutica e a de cosmética esperam dos jovens mais do que as escolas estão cuidando. Uma série de habilidades, a grande maioria igual às necessidades de outros setores, foi relacionada como importantes para o estudante que pretende construir carreira no setor. Habilidades como capacidade de comunicação escrita, criatividade, comunicação verbal, pró-atividade, liderança, ética, relacionamento interpessoal, espírito empreendedor e capacidade de trabalhar em equipe foram solicitados dos estudantes. Observam também que os estudantes precisam ter propósitos naquilo que fazem, ser preparados para serem generalistas.

O setor também absorve, evidentemente, estudantes de outros cursos. Há espaço para estudantes de marketing, administração, finanças, RH, direito, psicologia, comunicação, entre outros cursos.

Por fim, foi colocado que o setor pode ser dividido em três fortes áreas de investimento:

  • Pesquisa;
  • Marketing;
  • Vendas.

Essas áreas atuam junto a dois blocos de clientela:

  • Hospitais e médicos;
  • Governo.

Instituto Via de Acesso, 23/08/2006.


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