Walter Barelli - economista e professor

Logística

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Em 28 de abril, sexta feira, sob a coordenação do ex-ministro do Trabalho e conselheiro do Instituto Via de Acesso, Walter Barelli, realizou-se a 2ª mesa-redonda sobre o tema "Educação, Trabalho e Empreendedorismo para o estudante em logística".

Participaram do trabalho Alexandre Germuts, da Aslog; Rogério Lenza, Perdigão; Ivo Herzog, Carrefour; Alecsandro Araújo de Souza , Sebrae/SP; Juliana Barros e Márcio Borges da Logistech; Prof. Dr. Célio Mauro de Almeida, da Usp e Ruy Leal, do Instituto Via de Acesso.

Foi feito um apanhado geral sobre o aproveitamento profissional dos jovens, considerando-se que cerca de 50% deles estão fora do mercado de trabalho. Diante desse quadro, Walter Barelli perguntou como se encontra o setor da logística?

Alexandre Germuts, da Aslog, iniciou dizendo que trabalhou por 4 anos em Manaus na Transportadora Bertolini. À época, lembra, sentia muitas dificuldades para encontrar mão-de-obra preparada para atuar no setor. Lá, já se sentia a necessidade de se ter um curso voltado para logística. Entende que no Brasil deve-se parar de colocar a logística como "ênfase" e partir para criar o curso propriamente dito. Sem TI não há logística. O mercado precisa de parceiros fortes em TI voltada para a logística, pois há muito comprador potencial dessa tecnologia. Mas, nada de produtos prontos. O mercado busca parceiros capazes de desenvolver cursos "a la carte", completou.

Ivo Herzog, do Carrefour, disse que lá fora não existe mais a logística. Existe o Suply Chain. Na operação, no armazém, não tem gente preparada em logística. O universitário que quiser atuar em logística deve saber planejamento, pois quem sabe fazer planejamento consegue ver a integração, a cadeia completa, isto é, conhecer a relação entre distribuição e cadeia de suprimentos. No Brasil há um forte problema, que é a questão da Nota Fiscal. Qual NF deve ser emitida? Não se sabe, já que há uma complexidade de situações, tipos de produtos, estados da União, alíneas, etc. De outro lado, sempre é importante ter em mente que em logística tem dois grandes caminhos para se fazer carreira: o administrativo e o estratégico, informou.

Marcio Borges, da Logistech, colocou que entre o estratégico e o chão de fábrica há um espaço, a média operação, que precisa ser ocupado por profissionais mais preparados.

Rogério Lenza, da Perdigão, adiantou que quem vai atuar em logística deve saber enxergar a cadeia inteira. É preciso conhecer distribuição, mas, salientou, há também uma concorrência forte em nível de serviços, que exige acompanhar o tempo de entrega, qualidade da entrega, dando o mesmo peso da atenção necessária do profissional de logística: buscar sempre o equilíbrio entre o custo da operação e a qualidade de serviços.

Márcio Borges, da Logistech, considera que é necessário aplicar a disseminação da estratégia para todos da estrutura da logística. A média operação precisa entender e aplicar o que foi definido na estratégia da operação.

Alecsandro Souza, do Sebrae, preferiu fazer uma análise a partir da realidade da pequena empresa. Se para a grande empresa o desafio é grande, imagine para a pequena empresa, enfatizou. Segundo ele, os pequenos têm menos estrutura para enfrentar o cotidiano do setor. O jovem estudante pode ter chances maiores na pequena empresa de logística, pois lá ele poderá se envolver em todo o processo, percorrendo mais facilmente toda a cadeia. Ele precisa estar atento aos nichos.

Prof. Dr. Célio de Almeida, da FIA/USP, informou que o conceito "logística" teve vida curta. Segundo disse, a França é pioneira dos estudos de logística e não os EUA. Logística é distribuição física, mas, a partir da década de 1990, logística perde a força que tinha, e diversos setores começam a perceber a necessidade de se olhar toda a cadeia de produção. Citou, como exemplo, a indústria automobilística. Continuou dizendo que é necessário enxergar a cadeia como um todo, mas que na grande maioria das vezes não conseguimos ver isso. Isso impacta na empresa, e por conseqüência, o meio acadêmico também fica sem conseguir passar isso para os alunos. Deu um bom exemplo de como devemos enxergar a cadeia, ou seja, realizar o suply chain management: "da mina de ferro ao ferro da mina". Por esse exemplo, percebe-se que o gerenciamento de toda a cadeia deve ser feito desde a produção da matéria prima até o produto final junto ao comprador.

Rogério Lenza fez um apanhado sobre os níveis existentes na cadeia de suprimentos, de maneira a se exercitar adequada técnica de gerenciamento de acordo com o nível em questão.

  • Cadeia de suprimentos interna;
  • Cadeia de suprimentos imediata;
  • Cadeia de suprimentos completa;
  • Cadeia de suprimentos estendida.

De acordo com o tipo de cadeia que ele observa, define o tipo de administração ou gerenciamento que exercerá. Utilizou o exemplo da indústria automobilística, citando que essa indústria não pode ter um relacionamento ruim com seus fornecedores. O produto final depende disso. Pode usar a "curva ABC", mas deve-se manter uma estreita relação com os fornecedores. Finalizou, dizendo que o Brasil nunca teve um projeto de transporte e armazenagem. É de chorar a oferta de transporte e armazenagem no país.

Diante desse quadro apresentado, Walter Barelli perguntou: como trabalhar isso no ensino e como provocar vocações nos nossos estudantes universitários?

Prof. Célio de Almeida retrucou dizendo que se não conseguimos até agora sensibilizar o empresário sobre logística, como provocar o estudante para isso?

Já Alecsandro Souza enfatizou a sua alegria pelo Instituto Via de Acesso ter trazido o tema "logística" para discussão. Não há dúvida, segundo disse, que o tema é de importância estratégica para o País. Acredita que se ter cursos sobre Logística é importante, mas acha que o tema deveria permear vários cursos de Exatas e Humanas, especialmente, sempre destacando que se trata de sobrevivência dos negócios. As escolas devem mostrar aos seus estudantes que as empresas precisam ser competitivas e que a logística tem papel fundamental para se alcançar isso.

Adalberto Germuts entende que é preciso reduzir custos na empresa, mas não a qualquer custo. Deve-se ensinar os jovens às boas práticas.

Ivo Herzog considera que uma boa maneira de difundir o tema é realizar seminários nas universidades. Atua no Carrefour e para trabalhar com ele em logística é fundamental saber usar a ferramenta Excel, pois o resto "eu ensino".

Márcio Borges define que conciliar TI com logística é a grande avenida de entrada para o jovem atuar no setor. A sua empresa, Logistech, atua no setor de entrega de jornais. Anteriormente, os pontos críticos de seu negócio eram a rapidez de entrega e o índice de reclamação. Atualmente, o que vale é o menor custo de entrega possível. Hoje, a diferenciação de seu negócio está na competência que possuem no uso da tecnologia, que permite obter informações sobre o seu público consumidor. Concluiu, afirmando que TI + Marketing faz uma fórmula importante para a sua atividade, pois a informação é atualizada para fazer o marketing adequado ao público-alvo da ação.

Prof. Célio Almeida reforçou que é necessário olhar 3 aspectos importantes na logística. São eles:

  • Gestão de estoques/armazenagem;
  • Gestão da movimentação (dentro do processo produtivo e externo);
  • Gestão da informação - TI.

Alecsandro Souza acha que o estudante não participa de ações dentro da universidade que são importantes para ele aprender e facilitar a sua entrada no mercado de trabalho. Um exemplo disso é a Empresa Jr., local na universidade onde o estudante pode empreender e aprender na prática. Entende que 3 pontos devem ser observados para que o setor da logística possa ter mais estudantes, futuros profissionais, atuando. São os seguintes:

  • Destacar bem a diferença entre logística e suply chain nas escolas;
  • Políticas governamentais diferentes das atuais, valorizando e inserindo, corretamente, o tema nas políticas do MEC e Ministério dos Transportes, especialmente;
  • As associações ligadas ao setor devem voltar a conversar entre si. Se possível, com um "aglutinador" aceito por essas associações.

Novamente, Walter Barelli interveio, solicitando de todos que definissem o perfil adequado para o estudante que queira uma oportunidade no setor.

Para Rogério Lenza o estudante deve ter base analítica, boa habilidade de comunicação e boa habilidade de relacionamento; além disso, saber trabalhar com informática, estatística, e com modelos matemáticos (APO), utilizáveis para pesquisa operacional. E, claro, bom domínio de inglês.

No ponto de vista de Ivo Herzog, a fim de definir melhor o perfil necessário para atuar em logística, separou o setor em duas grandes áreas:

Estratégica

Para atuar nessa área o jovem deve ser criativo, não acreditar em paradigmas, ser pró-ativo, conhecer macroeconomia e estatística, e ter competência analítica.

Operacional

Para atuar nessa área o jovem deve ser pragmático, possuir boa sociabilidade, saber trabalhar em equipe, capaz de entender os padrões de procedimentos, bom mediador e compreender o conceito do processo.

Márcio Borges disse que há uma carência maior de profissionais habilitados no estratégico, mas reforçou a necessidade do estudante interessado ter uma boa comunicação verbal e boa capacidade de argumentação. Além disso, entende que a criatividade é uma habilidade importante porque o profissional de logística deve sempre estar aberto para descobrir um caminho novo, fazer diferente e melhor.

Adalberto Germuts acrescentou que o espírito empreendedor deve ser exigido do profissional para atuar na área.

Alecsandro Souza chama a atenção do jovem para a pequena empresa, onde, segundo afirma, as oportunidades são maiores, mais completas e com menor amplitude de exigências.

Prof. Célio de Almeida alertou para não se esperar do estudante um preparo de super-homem.

Já Ivo Herzog entende que se ele não for super-homem estará perdido, pois o setor busca gente que vai atrás, que busca, que atuem como agentes de mudanças.

Rogério Lenza reforçou uma interessante idéia, alertando que em logística existem muitas oportunidades para o jovem, mas falta jovem interessado em atuar no setor.

Ivo Herzog, finalizando sua participação, reiterou que no seu ponto de vista é fundamental ao estudante interessado em atuar em logística saber usar a ferramenta Excel e saber estatística, concluiu.

Em seguida, Alecsandro Souza encerrou os trabalhos dizendo que saber tomar decisão em cima de números também é importante.


Instituto Via de Acesso, 24/05/2006.


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