Walter Barelli - economista e professor

Setor de Serviços

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Na manhã de sexta-feira, 31/3, foi realizada a primeira de dez mesas-redondas em 2006, sobre o tema central "Educação, Trabalho e Empreendedorismo para o Jovem Estudante Brasileiro", organizado e realizado pelo Instituto Via de Acesso, em São Paulo, para discutir o tema no setor de Serviços.

O objetivo das discussões foi levantar as oportunidades, obstáculos e competências necessárias para o estudante preparar-se para as oportunidades de estágio, emprego e trabalho no setor de Serviços.

A mesa, promovida pelo Instituto Via de Acesso, representado por seu superintendente, Ruy Leal, e coordenada pelo professor da ESPM, Alfredo Passos, teve a coordenação geral do ex-ministro do trabalho e conselheiro do Instituto Via de Acesso, Walter Barelli, e a participação de um grupo de especialistas, tanto do lado educacional como do empresarial: Maria Amália Cardoso, responsável pelo programa de estágios da TV Globo, Sandra Bruno Fiorentine, do Sebrae-SP, Jaqueline Giordano, do IBMEC, Magali Bredariol , diretora de RH da Stefanini TI, Paulo Roberto Santos, do setor de estágios da Fundação Armando Álvares Penteado, Gustavo Chicarino, da área de desenvolvimento de Novos Negócios da Accor do Brasil, Álvaro Armond, professor do IBMEC, Juliano Seabra,coordenador do Núcleo de Empreendedorismo do SENAC-SP e Antonio César Amaru Maximiniano, professor de Economia da USP.

As cores do quadro pintado pelos especialistas foram cinzentas: sobra mão-de-obra no mercado e faltam vagas. São dezenas de milhares de jovens se candidatando a muito poucas colocações. No processo seletivo, inúmeras pessoas são descartadas e chegam ao final 20 ou 30 pessoas. Os critérios para quem perdeu são sempre os mesmos: ou não fizeram a escola que as empresas mais escolhem, - geralmente as de primeira linha - não dominam um segundo idioma, ou não possuem uma vivência comunitária ou social. "O potencial de frustração dos jovens é muito grande", adiantou o professor Amaru.

Para Jaqueline e Álvaro, do IBMEC, a prática do Instituto tem sido a de reforçar o aprendizado do empreendedorismo, em parceria com o Endeavor, especializado na matéria, procurando identificar desde o primeiro ano quais são as competências e as pessoas que desde cedo mostram motivação para o espírito empreendedor. Álvaro tem visto o crescimento acelerado de alunos nas salas de aula com projetos pessoais, planos de negócios já encaminhados para negócio próprio, como reação à frustração na busca de uma oportunidade no mercado.

O Instituto Endeavor fez uma pesquisa entre estudantes de fotografia, que é um mercado tipicamente sem vínculo empregatício, de free-lancers, e qual não foi a surpresa quando 68% dos alunos responderam que gostariam de empreender em algum momento da carreira. Para os especialistas, os alunos esperam que a escola forneça as competências necessárias para empreender e as universidades precisam preparar-se para atender a essas demandas.

"Queremos o potencial e o talento, esteja onde estiver".

Nem todas as empresas que procuram estagiários como maneira de formar seus futuros profissionais buscam estudantes originários de universidades de "primeira linha", mas o fato ainda é corriqueiro. "Não posso falhar, estou medindo o meu risco", afirma Gustavo Chicarino, da Accor. "Busco a marca, o brand de primeira linha".

Já Amália, que coordena o processo seletivo de estagiários da TV Globo, formado de artistas, técnicos, mas principalmente de jornalistas, não há discriminação de escolas, pois "nosso produto é o meio artístico e o jornal, que é estratificado, trabalha com todas as regiões e todos os extratos sociais e por isso precisa ter linguagens para todos os públicos, representando a diversidade da população. Você não discrimina raça, credo, cor, idade, mas se discrimina escola, está discriminando tudo", afirma. "Queremos o potencial e o talento, esteja onde estiver".

Barelli fez um resumo, no final, com as principais conclusões e recomendações dos especialistas para os estudantes que estão se preparando para o mercado de Serviços no Brasil. "O que mais me chamou a atenção foi o avanço do empreendedorismo", disse o parlamentar. "Para as oportunidades, vi poucos caminhos, como pequenas e micro empresas, o terceiro setor, a opção do tecnólogo em vez do universitário, que é uma possibilidade, mas também pode ser uma enganação" (cursos proliferando indiscriminadamente).

Finalmente, as competências exigidas pelo mercado são as seguintes, segundo resumiu Barelli: competência técnica, idioma, experiência comunitária, viagens por outras culturas, capacidade de resolver problemas, valores éticos, trabalho em equipe, desembaraço, iniciativa, mais ou tanto quanto criatividade, paixão, humildade.

Há, ainda, as recomendações dos especialistas: a formação acadêmica, muito estudo, formação humanista (não só leitura, mas freqüentar cinema, teatro, boa música), preparo para o trabalho, pesquisa, ter noção de negócios, fazer seu próprio planejamento e não ser omisso com seus estudos, sua carreira e sua própria vida. "Normalmente queremos tudo isso numa pessoa só", brincou Barelli. "Mas estamos trabalhando isso nos estudantes do Instituto Via de Acesso e nos mantemos abertos aos novos tempos", concluiu.


Instituto Via de Acesso, 24/04/2006.


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