Walter Barelli - economista e professor

Setor da Tecnologia

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Com o apoio institucional do Sebrae/SP e sob a coordenação geral do ex-ministro do Trabalho e conselheiro do Instituto Via de Acesso, Walter Barelli, realizou-se na manhã de 12 de dezembro a 11ª e última mesa-redonda de 2005, do tema Educação, Trabalho e Empreendedorismo para o Jovem Estudante Brasileiro, abordando as oportunidades existentes no setor da Tecnologia.

Participaram dos trabalhos os seguintes profissionais:

  • Janete Dias - Coordenadora de Gestão de carreira da FIAP.
  • Newton Scartezini - Diretor de Relações Institucionais da Nortel.
  • Susana Falchi - HSD Consultoria em RH.
  • Alessandro Bonorino - Diretor de RH da IBM.
  • Malena Martelli - Diretora de RH da Unisys.
  • Gilberto Silva - Diretor de RH da Sun Microsystems.
  • Esmeralda Rodrigues - Gerente de Comunicação da Furukawa.
  • Fernando Chinaglia - Unidade de Inovação e Tecnologia - Sebrae.
  • Ruy Leal - Superintendente Geral do Instituto Via de Acesso

A moderação dos trabalhos ficou a cargo dos professores de pós-graduação da ESPM, Alfredo Passos e Eduardo Najjar.

Após uma breve explicação dos objetivos do trabalho e o que se esperava alcançar feita pelo prof. Alfredo Passos, lançou-se a questão: a tecnologia tira ou dá emprego/trabalho para o universitário?

Malena Martelli, diretora de Rh da Unisys, afirmou que dá emprego, mas o perfil exigido é diferente, bem como a carreira futura é diferente. Exemplificou, citando um caso de empresa aérea que contratou a Unisys para um trabalho de outsoursing em sua área de tecnologia, mas exigiu que seus funcionários fossem aproveitados no projeto. Houve uma completa mudança no perfil dos profissionais que passariam a atuar no projeto, muito diferente do perfil utilizado até então pela cia aérea. O mercado de trabalho é muito mais dinâmico agora, exigindo do interessado em ingressar muita flexibilidade e atualização para atuar no mundo da tecnologia.

Fernando Chinaglia, da Unidade de Inovação e Tecnologia do Sebrae e da Faculdade Tibiriçá de Tecnologia, disse que fala aos seus alunos que a tecnologia pode ser um fator de demissão de massa, mas, para aqueles que não se atualizaram. Na verdade, diz, não tira empregos ou oportunidades, mas muda o elenco de competências na busca de trabalho e de oportunidades.

Alessandro Bonorino, diretor de RH da IBM, entende que a tecnologia apresenta uma janela de oportunidades para o Brasil. O mercado da tecnologia cresce o dobro do que o PIB brasileiro. Justifica, dizendo que há no mundo cerca de 20 países somente capazes de exportar tecnologia. Exemplificou a Índia, que assume cerca da ½ do mercado de tecnologia do mundo. O Brasil está se preparando para disponibilizar ao mundo os seus produtos e serviços em tecnologia. Isso exigirá não só know how, mas gente preparada para atuar nesse mercado.

Newton Scartezini, diretor de Relações Institucionais da Nortel Networks, disse que cerca de 250 pessoas atuam na Nortel para o desenvolvimento de software no Brasil. Algo entre 80% e 90% são exportados. Nossos grandes competidores mundiais são a Índia e a China. A concorrência interna atua junto a projetos medianos. Somos competitivos na formação, mas enfrentamos dificuldades junto a nossa legislação trabalhista. O nosso profissional ganha pouco, porém custa muito. Quando se elabora um projeto para um comprador internacional é preciso considerar o custo da demissão, que ocorrerá ao final do projeto. Isso. Muitas vezes, nos deixa em situação difícil para vencer uma concorrência. Devemos aprender com os empreiteiros, que sub-contratam. Forneceu estatística da Abinee, que apresenta o quadro de crescimento da indústria eletro-eletrônica em 11% e o crescimento do emprego em 1,5%. Os fornecedores de serviços cresceram mais. Encerrou, dizendo que a tecnologia nem tira nem dá empregos, mas muda o quadro de necessidades e exigências.

Malena Martelli disse que o Brasil poderá ser provedor de serviços, mas, antes, precisará resolver o seu imbróglio da legislação trabalhista.

Esmeralda Rodrigues, gerente de Comunicação da Furukawa, disse que a tecnologia nem tira e nem dá empregos, mas, exige adequação. É necessário um modelo novo nas relações de trabalho.

Susana Falchi, consultora e diretora da HSD Consultoria de RH e ex-RH da Nextel e ABB, preferiu falar mais das relações entre empregados e empregadores, adiantando que mudou bastante essas relações, bem como mudou a maneira como as organizações estão dimensionando o funil e os critérios de entrada dos novos colaboradores. A dificuldade para trazer bons profissionais e mantê-los aumentou muito. Não há mais a antiga fidelidade com as empresas. Já chegou a ter que pagar luvas para engenheiros. Há a necessidade de se estabelecer algumas outras ferramentas para manter os profissionais, já que a questão de fidelidade foi esquecida a partir da empresa, que modificou as regras para a definição de seus colaboradores.

Janete Dias, coordenadora de Gestão de carreiras da FIAP, considera que para quem está chegando ao mercado de trabalho, o relacionamento em moda é o do tipo "ficante". Eu fico enquanto a empresa me der condições vantajosas. Não há mais o "amor" ou a fidelidade, do tipo para sempre. Disse que há uma forte parceria entre a IBM e a FIAP, de maneira a haver na escola um criterioso e negociado método para selecionar os alunos interessados e com o perfil definido pela empresa para as suas vagas de estágio. E por que acontece isso? Porque os alunos preferem atuar em grandes empresas, um entendimento de mercado já com desvio há algum tempo.

Fernando Chinaglia informou que há um grande equívoco em focar somente a grande empresa. No Brasil 98% é constituído por micro e pequenas empresas, laboratórios para o desenvolvimento profissional muito mais amplo e generalista.

Gilberto Silva, diretor de RH da Sun Microsystems, disse que preparamos os jovens para as empresas e não para o trabalho. Os jovens são orientados e preparados para buscar segurança, e isso é passado. No mundo da tecnologia as transformações são muito rápidas, com a obsolescência vindo num piscar de olhos. Tecnologia dá emprego para quem está sintonizado, mas, tira de quem busca somente segurança. As pessoas têm visão de curto prazo, do tipo "pau na máquina". Há falta de muitas habilidades para permitir a evolução profissional das pessoas. Há, nesse caso, espaço para o coaching, que deve propiciar um crescimento mais seguro dos profissionais dentro da organização.

Alessandro Bonorino disse que o mercado de trabalho funciona como um pêndulo. Se a economia vai bem, as pessoas vão bem, têm aproveitamento nas empresas. Se a economia vai mal, há, inevitavelmente, as trocas. Ele entende que as escolas deveriam, no campo dos cursos da Tecnologia, preparar muito mais os seus estudantes em competências e habilidades comportamentais. TI é por conta da empresa, que irá preparar mais dentro de seu mundo de necessidades técnicas.

Malena Martelli insiste que o ensino do idioma inglês deve ser foco de atenção concentrada das escolas e dos interessados em atuar em tecnologia. Se o Brasil quer trabalhar para o mundo deve se concentrar nisso, pois, afinal, o inglês é o idioma do mundo.

Devemos fazer como os ingleses faziam na época das suas colônias, disse Newton Scartezini. Naquela época, os ingleses davam cursos extensos de filosofia, história, matemática, entre outras matérias, para todos que fossem gerenciar ou trabalhar nas colônias. Os colonos eram preparados para o macro, o micro eles aprendiam no local, no dia-a-dia.

Segundo Janete Dias, a FIAP já prepara seus alunos a terem uma visão e uma formação mais amplas. Até teatro é objeto de estudo e participação dos seus alunos, deixando-os mais sintonizados a outras áreas do conhecimento humano que não só a TI.

Mas, onde estão as oportunidades para os estudantes no mundo da Tecnologia da Informação, indagou o professor Alfredo Passos?

Malena Martelli entende que os Calls Centers, Help Desks, Outsoursing (em terminais Data Centers), Fábricas de Software BPO, são, entre outras frentes, boas vias de acesso para o jovem no mundo da TI. Outra via de acesso interessante é destinada àqueles que sabem gerenciar jovens.

Já Alessandro Bonorino apresenta como porta de entrada o estágio. Acredita que as escolas podem se concentrar no ensino de Arquitetura de Sistemas, Desenvolvimento de Softwares e Gerenciamento de Projetos. Por conta das empresas, seria complementado o desenvolvimento dos estudantes/jovens, em Alta Arquitetura, Web Searches e Integração de Sistemas.

Na opinião de Gilberto Silva, a portas de entrada para os estudantes podem ser os Calls Centers, os programas educacionais das empresas na área de TI, manutenção pós-venda em cima de equipamentos e serviços.

Fernando Chinaglia deu um interessante caminho para os jovens que desejem ser empreendedores, abrir os seus negócios. Na visão dele, o jovem tem uma excelente escola prática, que são as incubadoras de empresas. Lá, eles conseguirão ter uma visão do todo, aprendendo os detalhes, de maneira a aumentar bastante as suas chances para o sucesso de seus futuros empreendimentos.

A indústria de TI mudou muito, segundo disse Newton Scartezini. Ela não produz mais nada. Tudo é terceirizado. A Abinee, associação das indústrias eletro-eletrônicas, apresenta esse quadro em relação às suas associadas. A Nortel terceirizou a sua produção. Se o estudante quiser emprego na indústria deverá saber que atuará em empresas que não possuem "brand".

Susana Falchi lembrou que o setor das Telecomunicações pode ser um interessante campo de absorção de estudantes. Lembrou também que há espaço para estudantes preparados para atuar em Redes, Segurança e também em Educação a Distância - EAD, especialmente em e-learning.

Esmeralda Rodrigues lembrou também os cursos ou tecnologias das empresas que geram conhecimentos específicos e especialistas, conhecidos como Programas de Certificação. Quem realiza esses cursos e são certificados possuem um mundo de oportunidades junto a empresas que adotam essas tecnologias. A Furukawa desenvolve esses cursos em sua tecnologia.

Para finalizar, o professor Alfredo Passos solicitou de todos, "dicas" para agora, de interesse para os estudantes e para o seu aproveitamento imediato no mercado de trabalho do mundo da TI.

Malena Martelli disse que para a Unisys tanto faz ser estudante de escola de 1ª ou de 2ª linhas. Acredita até que as empresas deveriam, sem prejuízo nos seus resultados, procurar o equilíbrio, ou seja, contratar os estudantes, desde que aprovados em seus processos seletivos, 50-50, sem preconceitos, em observância aos aspectos sociais também envolvidos.

Em relação à IBM, Alessandro Bonorino disse que a tendência é contratar estudantes de escolas de 1ª linha, pois o inglês é uma dificuldade e um "selecionador" quase que natural. O filtro passa, sem dúvida, pelas habilidades comportamentais.

Fernando Chinaglia acrescenta as características empreendedoras como uma importante dica para os estudantes. Será exigido deles que tenham o espírito empreendedor em sua caminhada pelo mundo empresarial, mesmo como empregado. Pode ser entendido como o intra-empreendedorismo.

Newton Scartezini alertou para os pólos de tecnologia existentes no Brasil, lugares que os estudantes interessados em se desenvolver em TI podem e devem estar atentos para oportunidades: São José dos Campos, Campinas, São Carlos, entre outras localidades.

Gilberto Silva alerta para a máxima que diz que não há desenvolvimento de 2ª linha. Para as empresas existem instrumentos que atuam como filtro natural na busca de seus colaboradores. Como dica recomenda ao estudante que "vá atrás", que trabalhe duro, pois é assim que a vida impõe. E atenção ao comportamental.

Alessandro Bonorino levanta uma tese interessante: ainda que não tenha isso medido, acredita, pela experiência e observações, que quem joga esporte coletivo tem uma série de características ou habilidades que são valorizadas pelo mercado de trabalho. Enumerou a iniciativa, ética ou conduta, trabalho em equipe e criatividade, esta voltada para a inovação.


Instituto Via de Acesso, 23/12/2005.


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