Walter Barelli - economista e professor

Alternativa de Trabalho para os Estudantes Brasileiros

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Participantes

  1. Coordenador Geral - Ex ministro do Trabalho, Walter Barelli.
  2. Moderador - Prof. Alfredo Passos, ESPM.
  3. Abraham Kasinsky - Empresário, ex Cofap e atualmente, Motos Kasinsky.
  4. Leda Figueiredo - Empresária, Brás & Figueiredo.
  5. Reinaldo Polito - Empresário, professor, Instituto Reinaldo Polito de Expressão Verbal e presidente do Conselho de Administração do Instituto Via de Acesso.
  6. Fábio Saba, Secretário Adjunto de Educação do Estado de São Paulo.
  7. Maristela Guimarães André - Diretora de Talentos da ESPM.
  8. Aghata Camargo - Estudante
  9. Márcio Biason - Estudante.
  10. Antonio Limone - Superintendente da Caixa Econômica Federal.
  11. Antonio Barbosa - Diretor do ABN AMRO Real, Programa Universitário.
  12. Carlos Monteiro - Diretor Técnico do Sebrae/SP
  13. Paulo Xavier - Presidente da APARH e consultor.
  14. Ruy Fernando Ramos Leal - Superintendente Geral do Instituto Via de Acesso.

Resultados

Qualquer um que queira ter um negócio próprio precisa de capacitação e financiamento, reforçaram os empresários, educadores, estudantes e agentes de capacitação, crédito e desenvolvimento, que participaram da Mesa Redonda "Empreendedorismo como Alternativa de Trabalho para os Estudantes Brasileiros", promovida pelo Instituto Via de Acesso na manhã de 22/10, terça feira, na sede da Brás & Figueiredo, empresa que apoiou a realização dos trabalhos.

Contando com a coordenação geral do ex Ministro do Trabalho, Walter Barelli e com a moderação do professor Alfredo Passos da ESPM, a realização da Mesa Redonda teve por objetivo identificar quais fatores podem levar estudantes interessados em se tornar empreendedores a ter sucesso com o seu futuro negócio. O que precisa ser feito e que perfil profissional e pessoal devem ter os estudantes empreendedores, para que possam ser vitoriosos e não engrossar a massa de 70% dos negócios que deixam de existir antes de completar seus 5 anos de vida.

Para Abraham Kasinsky, experiente empresário que cuidou da Cofap até a sua venda a grupo empresarial estrangeiro, e que aos 86 anos de vida comanda, há 4 anos, a Motos Kasinsky, é necessário saber receber "pauladas". Receber paulada, segundo ele, faz parte de qualquer empreendimento e também por isso o empresário deve ser um polivalente, saber fazer tudo, conhecer em profundidade o seu negócio e inovar. Empresário para ter sucesso deve querer crescer sempre e ter vocação para caixeiro viajante.

Os estudantes Agatha Camargo e Marcio Biason vêem a possibilidade do empreendedorismo como algo que deve ser analisado como um todo. Tendências, mercado, tecnologia, concorrência, nichos, tudo deve ser objeto de muita atenção e estudos. O medo é um fator que separa as "águas", deixando interessados somente aqueles que são verdadeiramente determinados. É preciso ser realista quando se verifica que os grandes dominam e que cada vez mais dominarão os negócios nos seus setores de atuação, com juros altos para se fazer empréstimos e o governo não incentivando ninguém. O sistema educacional está preso no passado, precisa mostrar também para onde ir, completam.

Paulo Xavier, presidente da APARH - Associação Paulista de Administradores de Recursos Humanos e consultor empresarial, somos um país de empreendedores, apesar de todas as conhecidas dificuldades em se obter financiamentos razoáveis em termos de condições oferecidas ao tomador. Acredita que se deve investir no trabalho como forma geradora de capital e não ao contrário, que é como usualmente se faz. Investir no capital, segundo ele, é para os capitalistas. O governo deve investir no trabalho, desobstruir os canais. A escola deve desenvolver seu trabalho no sentido de também ensinar o estudante a ser empreendedor. A escola deve ser, de fato, um agente de desenvolvimento. Além disso, avalia, que é necessário considerar a cooperativa como uma importante forma de se fazer um empreendimento.

O Superintendente de Negócios da Caixa Econômica Federal, Antonio Limone, que já participou de dois programas de empreendedorismo , Brasil Empreendedor, do Governo Federal e O Pequeno Empreendedor, da Caixa, o binômio capacitação e financiamento ditam o sucesso futuro do empreendimento. Acredita que estudante interessado em abrir um negócio, precisa possuir um prévio conhecimento prático para ter uma real chance e seguir em frente com bons resultados. Idealmente, conhecer antes como gerir um negócio, passando, em uma empresa, pelas suas mais diversas áreas. Antes de tudo, porém, o empreendedor deve ter um verdadeiro sentimento de servir a população. A ética deve ser fator preponderante no cotidiano do futuro empresário.

O Estado de São Paulo tem atualmente uma população de 37 milhões de habitantes. Considerando que tem 6 milhões de estudantes e uma média de 4 pessoas por família, o Governo do Estado tem responsabilidades educacionais sobre 24 milhões de pessoas, informa Fábio Saba, Secretário Adjunto da Educação, participante da Mesa Redonda. Segundo ele, 24 mil estudantes bolsistas desenvolvem atividades educacionais e comunitárias nas escolas estaduais, pagos pelo Estado. A USP, Unicamp e Unesp têm 38 mil jovens estudando de graça, em 69 cursos e 53 unidades educacionais superior. O Estado de São Paulo possui unidades de Escolas Técnicas com cursos profissionalizantes, Sesi, Senai, CEFET, entre outros. A base do empreendedor, de acordo com Saba, está na educação. O modelo conceitual que deve ser praticado na escola é o da gestão.

Para Antonio Barbosa, diretor do Programa Universitário do ABN AMRO Real, que possui nesse programa uma base de 300 mil universitários, o empreendedor de sucesso é aquele que faz o que ninguém faz ou que faz melhor o que os outros fazem. Financiar sonhos também exige análise de riscos, como em qualquer outro financiamento. A grande ajuda que se pode dar a um estudante que queira ser empreendedor é facilitar o seu preparo, dar a ele capacitação. Isso permite o resto. Nesse sentido, acredita que o Instituto Via de Acesso possa ser um bom caminho para concretizar isso. Por último, informou que o banco financia também o recém formado no seu primeiro ano profissional.

A professora Maristela Guimarães André, diretora de Talentos da ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing, disse que anteriormente bastava o diploma de uma boa escola. Depois, passou a ser necessário saber fazer, o que só se conseguia com experiência. Mais alguns anos e passou a ser exigido saber fazer bem. Agora, saber fazer bem é uma obrigação. Sem oportunidades, o jovem vai para o sub-emprego. Para ela, o perfil do empreendedor deve contemplar a paixão pelo que faz, comprometimento ético, consciência de si e do outros, não delega responsabilidade, assumindo as conseqüências por aquilo que faz e determinado. A universidade e a empresa devem dar ao jovem uma visão para os próximos 4 ou 5 anos.

De acordo com as considerações de Carlos Monteiro, Diretor Técnico do Sebrae/SP, o brasileiro é um empreendedor e um heróico, pois empreender num país com 36% de carga tributária é preciso ser herói. Há muito espaço para pequenos negócios no nosso país. 98% do mundo empresarial é formado por micro e pequenas empresas. O Sebrae fornece condições e espaços para participação das pequenas empresas participarem de feiras de negócios e cursos de gestão, como mecanismos no sentido de reduzir o índice de mortalidade das empresas no Brasil. Recebem compulsório das empresas, mas devolvem tudo o que recebem com os impostos que as empresas melhor preparadas são capazes de pagar. Carlos Monteiro acredita que alguns passos devem ser observados para o sucesso do empreendedorismo. O primeiro trata-se da universidade/escola ensinar o estudante a ser empreendedor e a não ser, ou seja, não são todos que podem ou querem ser empreendedor. Assim pode optar pela forma de atuar no mercado de trabalho que melhor convier a ele, mais adequado ao seu perfil. Outro passo é mostrar que o Associativismo é uma fundamental ferramenta para o empresário de pequenos negócios. Ele precisa saber juntar forças, o que leva a maiores volumes, melhores preços e maiores margens.

Leda Figueiredo, empresária, sócia diretora da Brás & Figueiredo, em função de sua própria história de empreendedora, acredita fortemente que empresário que quer somente fazer fortuna, o seu empreendimento nasce para morrer, pois assim não pensa no negócio, mas somente no dinheiro que pretende ganhar. Empreendedor tem sonho forte, como um fogo que nunca pára. Acredita que se o empreendedorismo, como se afirma, é solução para o Brasil é solução para o estudante também. Empreendedor não é somente aquele que abre o seu próprio negócio, mas também aquele que trabalha numa empresa com esse espírito, o que aliás, é exigido de qualquer um que quer se manter no mercado de trabalho, atuando. É preciso, para sobreviver no mercado de trabalho, ser o melhor naquilo que se gosta. É necessário estar preparado para as dificuldades, algumas muito fortes, apresentadas pelo meio, como a concorrência desleal, falta de crédito, falta de ética de muitos negócios e negociadores, entre outros.

Reinaldo Polito, presidente do Conselho de Administração do Instituto Via de Acesso e presidente do Instituto Reinaldo Polito de Expressão Verbal, contou sua história como empresário, decidindo-se pelo seu negócio a partir da experiência que teve como empregado em bancos e outros organizações. Contou que até há pouco tempo, investia em propaganda 90% de tudo o que ganhava na sua escola de Expressão Verbal. Foi uma estratégia correta, mantendo com pulso foco total no núcleo do negócio. Está convicto de que não basta querer ser empreendedor, quer seja por oportunidade ou por necessidade. Se não estiver preparado para tocar o negócio, qualquer tamanho que tenha, as possibilidades de fracasso são muito grandes. A mesmo lógica se aplica, evidentemente, para o jovem que quer ser empreendedor. Uma boa maneira de se ver se o jovem quer ser mesmo empreendedor, é deixá-lo passar por uma experiência prática numa organização, deixá-lo conhecer um empreendimento em toda sua extensão, experimentar, verificar e sentir as dificuldades, "as pauladas". O jovem precisa ter paixão, mas necessita ter também o aprendizado.

Coube ao ex ministro Walter Barelli apresentar os pontos mais relevantes do debate e resumiu assim aquilo que foi discutido:

  1. Sonhar é preciso, mas com os pés no chão.
  2. Empreendedor deve ter vontade férrea de realizar as coisas, caso contrário, sucumbe nas primeiras pauladas.
  3. A Educação precisa saber olhar para frente, ter sempre visão educacional e de ensino para os próximos 5 anos.
  4. O empreendedor, principalmente o de pequeno negócio, deve conhecer o associativismo, e praticá-lo com desenvoltura, saber juntar para crescer.
  5. O Brasil é o 7º país do mundo em empreendedores, mas empreendedores, em sua maioria, por necessidade, por não ter trabalho de outra forma. Não há no país a cultura e a ação de preparo de seus empreendedores, na escola, por exemplo.
  6. Sebrae e Instituto Via de Acesso parece ser um bom caminho, uma boa maneira de se juntar forças para um trabalho nesse sentido.
  7. O empreendedor deve ter, em qualquer momento de sua vida e negócio, um forte comprometimento ético, de maneira a sempre assumir, com clareza, a responsabilidade por seus atos.
  8. O empreendedor deve ser livre e independente, não pode estar comprometido com grupos ou pessoas ue o forcem de sua estrada ética.
  9. Empreendedor não é só aquele que é dono de uma empresa, mas também aquele que tem e pratica esse espírito nas atividades que desenvolve em qualquer empresa em que atue.
  10. Medo. Fator apresentado pelos estudantes presentes nesse trabalho, que merece nossa reflexão, pois retrata uma situação de fato, a falta de apoio para quem quer ser empreendedor.
  11. Capacitação e financiamento/crédito. Sem isso, não há esperança de sucesso.
  12. Associativismo e cooperativismo. São instrumentos disponíveis para quem é ou quer ser empreendedor. É preciso, portanto, conhecê-los para usá-los, se for pequeno e se necessário.
  13. A escola é agente que necessita ter vontade para ajudar no desenvolvimento do espírito empreendedor em nossos jovens.
  14. O crédito deve ser diferenciado para o estudante que quer ser empreendedor.
  15. As empresas podem ser uma boa escola de preparo prático e orientado para o estudante empreendedor.

Destaque

Participação de Abraham Kasinsky, empresário, 86 anos, ex Cofap, que aos 82 anos resolveu criar uma fábrica brasileira de motocicletas, a Motos Kasinsky.


Instituto Via de Acesso, 03/11/2003.


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