Walter Barelli - economista e professor

Apresentação das Mesas-redondas

Presentes: Antonio G. Wolff, Diva de Souza Dias, Eurico Brás, Francisco Gracioso, José Luís Ricca, Julieta Nogueira, Maurício Franco, Nelson Junque, Paulo Xavier, Robert Wong, Rosely Boschini, Sueli Mascarenhas, Walter Barelli.

Coordenação Geral: Ruy Leal

Mediadores: Alfredo Passos, Eduardo Najjar

A seguir, os principais pontos discutidos e as conclusões da mesa, a respeito do jovem universitário brasileiro:

Um posicionamento inicial colocado aos participantes é a divisão que pode ser feita - em teoria - entre os jovens que freqüentam as chamadas Instituições de Ensino de 1a. linha - 10 % da população jovem - e os 90% restantes.

1. Ainda é egocêntrico, tem tendência a consumir. O sistema de ensino não lhe proporcionou oportunidade de obter poder de analisar criticamente assuntos de interesse.

2. O jovem que obtém melhor desempenho em sua carreira estudantil e, portanto, na carreira.

3. profissional é aquele que possui família bem estruturada. Mesmo assim, na maioria dos casos, falta-lhe garra e determinação.

4. O jovem com acesso à Universidade obtém mais recursos técnicos, mas precisa obter competências individuais e comportamentais.

5. É necessário atacar o problema da má formação do jovem, em termos acadêmicos, desde o ensino fundamental.

6. Muitos jovens ainda mudam o curso universitário após o 1o ano.

7. Maioria dos jovens fixam como objetivo ganhar tanto dinheiro quanto os profissionais melhores sucedidos em suas áreas de atuação, não dando valor ao caminho que tais profissionais percorreram para "chegar lá". Querem ficar ricos "rapidamente".

8. O jovem tem medo dos desafios profissionais que lhes serão apresentados num futuro próximo.

9. Com relação ao trabalho: "estamos indo para a frente, olhando pelo retrovisor". O Brasil é o 7o. país do mundo em número de empreendedores mas classifica-se em 1o. lugar em termos de empreendedores que o são por necessidade conjuntural (falta de oportunidades de trabalho).

10. Hoje temos 3 milhões de jovens freqüentando cursos universitários, no Brasil. Isto representa 15% da população jovem do país. Em 10 anos teremos 10 milhões de jovens na Universidade.

11. O jovem é, por sua natureza, agente de mudanças. Dentro das empresas, essa qualidade de inovador nem sempre é bem aceita. Mas deveria sê-lo, com apoio ao seu desenvolvimento, visando obter dele o produto de sua juventude e pensamentos inovadores (na maioria dos casos).

12. Para a Instituição de Ensino é muito fácil formar jovens "pré-moldados" para trabalhar nas empresas, adaptando-se ao ambiente "não inovador".

13. Falta auto-conhecimento e, por extensão, auto-confiança ao jovem universitário brasileiro. As Instituições de Ensino Superior deveriam dar ênfase à análise do comportamento humano de seus alunos. Estes deveriam ter um "personal coach" que os apoiasse em sua caminhada acadêmica e profissional. Pais e professores deveriam educar os jovens com mais perguntas sobre o "porque" das coisas, o que os levaria a aumentar seu nível de auto-conhecimento e auto-confiança.

14. Devemos convidar os jovens a participar de fóruns como este. A não participação do jovem no estudo de sua condição enquanto cidadão e profissional, é uma espécie de exclusão.

15. Pesquisa realizada pela ABRH com 120 jovens universitários - que também estão trabalhando em empresas como estagiários e trainees, vindos de 34 diferentes Instituições de Ensino Superior e de 22 cursos demonstrou, por exemplo, que esses jovens têm como ídolos - em sua maioria - Airton Senna (1o. colocado na pesquisa), Sílvio Santos (2o. colocado). O terceiro lugar em votação foi "não tenho ídolo". Em 4o. lugar empataram Jesus Cristo e "meu pai" (os pais dos jovens que participaram da pesquisa).

16. Muitos jovens ainda optam por seu primeiro curso universitário, por modismo. Os cursos universitários não são - muitas vezes - profissionalizantes. O jovem brasileiro trabalha por necessidade. No Brasil, o jovem começa a trabalhar muito cedo, em sua vida. Normalmente, em seu início de carreira, não se sente preparado para enfrentar o mercado de trabalho. Deveríamos dar aos jovens espaço para questionamento, investir no ensino de filosofia. Em nosso mercado de trabalho não há espaço para o jovem.

17. O jovem precisa colocar-se à disposição do mercado como se fora um produto.

18. O jovem universitário do interior pensa diferente do jovem da capital. Pensa mais em termos de empreendedorismo e não em trabalhar em uma grande empresa.

19. O jovem espelha-se, profissionalmente, na família, professores e no chefe. Esses atores devem ter ética, moral e conduta para que não influenciem o jovem de maneira errada.

20. O jovem, para ganhar a guerra da inclusão no mundo do trabalho atual deverá considerar em seu perfil profissional:

  • Ser bicultural
  • Dominar o idioma português
  • Ser fluente em um 2o. idioma
  • Lidar bem com a tecnologia
  • Resolver seu posicionamento no binômio generalista / especialista
  • Ter auto-conhecimento e auto-confiança
  • Ter foco em sua carreira
  • Ser persistente e paciente
  • Saber trabalhar em conjunto
  • Trabalhar com o que gosta de fazer
  • Ter resistência à frustração
  • Observar sua intuição
  • Ter e manter um bom "network"
  • Ter espírito empreendedor
  • Ter competência para buscar emprego e para manter-se no emprego, se assim desejar
  • Entender o ritual de transição: Estudante - Profissional; Escola - Mercado de Trabalho

Instituto Via de Acesso, 19/08/2003.


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